Prostalis: o que tem dentro e o que se sabe sobre cada componente
Resposta curta: o Prostalis é um suplemento alimentar em cápsulas com extratos de abóbora (Cucurbita maxima), Tribulus terrestris, urtiga (Urtica dioica), ginseng e vitamina C. Embalagem de 20 cápsulas, uma duas vezes ao dia após as refeições, ciclo de 10 dias. Das cinco substâncias, apenas a abóbora e a urtiga têm literatura clínica relativa a sintomas da próstata — e a da abóbora tem uma ressalva importante. As doses não estão indicadas, o que impede a comparação com as quantidades estudadas.
O nome não é exclusivo. Ao contrário dos medicamentos, os nomes comerciais de suplementos alimentares podem ser usados por fabricantes diferentes, e sob a designação «Prostalis» circulam pelo menos quatro fórmulas distintas, com composições que não coincidem.
Três dessas fórmulas incluem ginkgo biloba — que a versão analisada nesta página não contém.
Isto não é um detalhe de nomenclatura. Se toma anticoagulantes ou antiagregantes, a diferença entre uma fórmula com ginkgo e outra sem ele é clinicamente relevante (ver a secção sobre interações, mais abaixo).
Antes de comprar seja onde for, leia a lista de ingredientes do frasco concreto. Esta análise refere-se à fórmula com abóbora, Tribulus, urtiga, ginseng e vitamina C.
Composição, ingrediente a ingrediente
| Ingrediente | Evidência para sintomas da próstata |
|---|---|
| Extrato de abóbora (Cucurbita maxima) | existe — com ressalva sobre a forma |
| Urtiga (Urtica dioica) | modesta, sobretudo para extrato de raiz |
| Tribulus terrestris | nenhuma para a próstata |
| Ginseng | nenhuma para a próstata |
| Vitamina C | nenhuma para a próstata |
⚠ Nenhuma dose está indicada — nem no material do fabricante, nem nos pontos de venda. Só a lista de nomes. Sem miligramas não é possível dizer se alguma das substâncias está presente numa quantidade próxima da que foi estudada.
Abóbora: o ingrediente com evidência, e a ressalva que muda tudo
O estudo relevante chama-se GRANU: 1 431 homens entre os 50 e os 80 anos, acompanhados durante 12 meses, com três braços comparados.
| Braço do estudo | Resultado no IPSS |
|---|---|
| Semente de abóbora inteira, 5 g duas vezes por dia | redução clinicamente relevante face ao placebo |
| Extrato de semente, 500 mg duas vezes por dia | sem diferença face ao placebo no critério principal |
| Placebo | — |
Ambas as formas foram bem toleradas.
A ressalva: o que mostrou resultado foi a semente inteira, não o extrato. O Prostalis contém extrato. É a forma que, neste ensaio — o maior existente sobre abóbora e próstata — não se distinguiu do placebo.
Isto não é uma particularidade deste produto: a esmagadora maioria das cápsulas no mercado contém extrato, porque 10 g de sementes por dia não cabem numa cápsula.
Urtiga: depende da parte da planta
Existe alguma evidência de alívio dos sintomas urinários com Urtica dioica, sobretudo com extrato de raiz. É modesta, e nenhum estudo aponta para redução do tamanho da glândula.
O rótulo indica «urtiga» sem especificar a parte utilizada. Raiz e folha têm composições diferentes, e é a raiz que aparece na literatura sobre próstata.
Tribulus terrestris e ginseng: outra área
Não têm evidência clínica consistente para a próstata. A literatura sobre ambos diz respeito à função sexual e à testosterona — e mesmo aí, estudos recentes não encontraram efeito consistente do Tribulus sobre os níveis de testosterona.
Aparecem em fórmulas «para a próstata» com frequência, provavelmente por associação com a saúde masculina em geral. É uma associação comercial, não clínica.
Nota: a fórmula **não contém Serenoa repens, o ingrediente mais vendido da categoria. Reunimos os 27 ensaios sobre ele em saw palmetto: funciona?.
Vitamina C
Sem relação estabelecida com sintomas urinários ou com o volume prostático.
Prostalis e Uroprostan são o mesmo produto?
Praticamente. O Uroprostan** — o outro produto do mesmo tipo dirigido ao mercado português — tem composição quase idêntica: abóbora, Tribulus terrestris, urtiga, ginseng e vitamina C. Mesmo formato de 20 cápsulas, mesmo esquema de duas por dia.
Do ponto de vista da composição declarada, comparar os dois não faz grande sentido. São o mesmo conjunto de ingredientes com nomes diferentes.
O que o efeito placebo explica aqui
Um dado que enquadra qualquer testemunho sobre este ou qualquer outro produto da categoria: numa meta-análise de 25 ensaios clínicos com 10 587 doentes, os homens que receberam placebo viram o IPSS descer em média 4,4 pontos em 12 meses, com variação entre estudos de 0,7 a 6,8 pontos.
Numa escala de 0 a 35, em que 8 a 19 já é considerado moderado, isso é uma melhoria que a pessoa nota.
Consequência prática: uma parte de quem toma vai sentir-se melhor. Isso é real e não é fingimento. O que não se pode concluir a partir daí é que a melhoria tenha vindo do produto — para isso é preciso um grupo de comparação, que é exatamente o que os testemunhos não têm.
Interações: verifique o seu frasco
Para a fórmula analisada aqui — abóbora, Tribulus, urtiga, ginseng, vitamina C — não há interações graves documentadas.
⚠ Mas se o frasco que tem contiver ginkgo biloba, como acontece em três das quatro fórmulas que circulam sob este nome, existe um risco a conhecer: o ginkgo aumenta o risco de hemorragia em combinação com anticoagulantes e antiagregantes — varfarina, apixabano, rivaroxabano, clopidogrel e aspirina em dose alta.
O público-alvo destes produtos são homens acima dos 50 anos, faixa etária em que estes medicamentos são comuns. Nem as páginas de venda, nem as lojas, nem os materiais promocionais mencionam esta interação.
Se toma algum dos medicamentos acima, leia a lista de ingredientes antes de comprar e fale com o farmacêutico.
Suplemento ou medicamento: a diferença legal
Vale a pena saber ler o que estes produtos podem e não podem dizer sobre si próprios.
Em Portugal, um suplemento alimentar é um género alimentício destinado a complementar a dieta, e é regulado pela DGAV. Um medicamento é o que se apresenta como possuindo propriedades para prevenir, diagnosticar, tratar ou corrigir funções do organismo por ação farmacológica, imunológica ou metabólica — e é regulado pelo Infarmed, com autorização de introdução no mercado e ensaios exigidos.
Um suplemento não pode, por lei, apresentar-se como algo que trata ou cura uma doença. Quando um material promocional afirma que um suplemento «trata» ou «resolve» a hiperplasia benigna, está a atribuir-lhe uma condição que ele legalmente não tem.
O mesmo se aplica às alegações de saúde: a EFSA rejeitou a alegação que ligava os esteróis vegetais à manutenção do tamanho normal da próstata e da micção normal. Na União Europeia essa alegação não é permitida em produto nenhum.
Como se toma e quanto dura
A embalagem tem 20 cápsulas. A posologia indicada é de uma cápsula duas vezes por dia, após as refeições, o que corresponde a um ciclo de 10 dias.
Vale a pena confrontar este número com as escalas de tempo da literatura:
| Duração | |
|---|---|
| Uma embalagem | 10 dias |
| Ensaio GRANU (abóbora) | 12 meses |
| Revisão Cochrane sobre saw palmetto | 3 a 17 meses |
| Redução média do IPSS no grupo placebo | medida a 12 meses |
Os sintomas urinários da hiperplasia benigna instalam-se ao longo de anos e os estudos que os avaliam trabalham em meses. Dez dias não é um período em que qualquer destes ingredientes tenha sido testado.
Se decidir experimentar, é útil saber isto de antemão para não interpretar mal o que acontecer — em qualquer sentido.
Como avaliar se lhe está a fazer efeito
Esta é a parte que ninguém escreve, e é a que dá ao leitor alguma independência face ao marketing — próprio ou alheio.
Meça antes de começar. Preencha o IPSS — sete perguntas, dois minutos — e anote o total com a data. Sem um valor inicial, qualquer avaliação posterior é memória, e a memória sobre sintomas é má.
Mude uma coisa de cada vez. O erro mais comum: começar o suplemento e, ao mesmo tempo, reduzir o café, beber menos à noite e prestar mais atenção. Se melhorar, não saberá o que funcionou — e as medidas comportamentais têm melhor suporte científico do que o frasco.
Dê o tempo dos estudos, não o da embalagem. Se for avaliar, avalie em meses.
Repita a mesma escala. No mesmo formato, no mesmo estado de espírito, e compare números com números.
Conte com o efeito placebo ao ler o seu próprio resultado. Uma descida de 2 ou 3 pontos está dentro do que acontece a quem toma cápsulas sem princípio ativo nenhum. Uma descida grande e mantida é mais interessante.
Anote também o que não muda. Se o jato continua fraco e a única diferença é dormir melhor, isso é informação — e possivelmente vem de ter deixado de beber água às onze da noite.
Este protocolo não é sofisticado. É simplesmente o que distingue saber de achar, e serve para qualquer produto da categoria.
Porque é que tanta gente procura isto
Vale a pena o contexto, porque explica o mercado.
Em Portugal, a espera por uma consulta de urologia no SNS com prioridade normal pode aproximar-se de um ano. No privado, a consulta custa habitualmente entre 70 € e 120 €, com marcação em uma a duas semanas — o que nem toda a gente pode ou quer pagar por um sintoma que considera menor.
Entretanto, os sintomas continuam: levantar-se três vezes por noite, o jato fraco, a urgência. É neste intervalo que se procura «alguma coisa para tomar», e é exatamente aí que esta categoria de produtos existe.
Duas coisas que pode fazer nesse intervalo e que têm melhor suporte do que qualquer cápsula:
- Treino dos músculos do pavimento pélvico — melhora significativamente os sintomas urinários, incluindo a noctúria, e associado a medicação supera a medicação isolada
- Gestão de líquidos — abaixo de 2 litros por dia, repartidos, e parar cerca de 5 horas antes de deitar
E pode acompanhar a sua referenciação no portal ou na aplicação SNS 24, em «Consultas e referenciação → Referenciações», em vez de esperar sem saber.
O que existe nas lojas portuguesas
Para quem quiser comparar com produtos cuja dose está indicada no rótulo:
| Onde | Intervalo de preços |
|---|---|
| Celeiro — saúde masculina e próstata (54 produtos) | 10,94 € – 44,99 € |
| Bioself (30 produtos) | 13,26 € – 48,02 € |
| Saw palmetto isolado, Celeiro | 17,84 € – 33,10 € |
| Serenoa repens em farmácia (Permixion, 160 mg) | preço de farmácia |
Marcas disponíveis: Now Foods, Solgar, Viridian, A. Vogel, Biover, Farmodiética, Dietmed.
Nota de honestidade sobre esta comparação: ter a dose no rótulo permite comparar com o que foi estudado, mas não garante resultado. O saw palmetto tem doses bem indicadas, está disponível em farmácia — e não superou o placebo em 27 ensaios. Rótulo completo é transparência, não eficácia.
O que a próstata aumentada é, em duas linhas
Para quem chegou aqui direto pelo nome do produto e não pelo problema.
A hiperplasia benigna da próstata é o crescimento gradual da glândula com a idade, que comprime a uretra e dificulta a passagem da urina. Não é cancro e não se transforma em cancro. Afeta cerca de 40 a 50% dos homens entre os 51 e os 60 anos e mais de 80% acima dos 80. Cerca de metade tem sintomas, e aproximadamente 30% virá a precisar de algum tratamento.
Os sintomas dividem-se em dois grupos: irritativos — urinar com frequência, urgência, levantar-se de noite — e obstrutivos — jato fraco, ter de fazer força, jato que para e recomeça.
A primeira linha de abordagem, antes de medicamentos ou suplementos, é comportamental: pavimento pélvico, gestão de líquidos, micção programada. Explicámos tudo em próstata aumentada: o que é e o que fazer.
Procure atendimento médico sem esperar perante qualquer um destes sinais:
- Impossibilidade de urinar, com dor e bexiga distendida — urgência hospitalar
- Sangue na urina, mesmo uma única vez e mesmo que passe sozinho
- Febre com dor lombar, perineal ou ao urinar
- Dor óssea persistente, sobretudo na bacia ou na coluna
- Perda de peso sem explicação
- Agravamento em semanas em vez de meses
Nenhum destes faz parte do quadro habitual da próstata aumentada. O maior risco associado a esta categoria de produtos não está nos ingredientes — que são seguros — mas em adiar uma avaliação por estar a experimentar alguma coisa.
O que fazer com esta informação
Os dados estão acima; a decisão é de quem lê. Três pontos práticos:
- Leia a lista de ingredientes do frasco concreto, sobretudo se toma anticoagulantes
- Meça antes de começar. Preencha o IPSS e anote a data. Repetir daqui a três meses é a única forma de saber se algo mudou — e é assim que os ensaios clínicos avaliam
- Não adie a consulta por causa disto. Perante sangue na urina, febre com dor, dor óssea, perda de peso ou impossibilidade de urinar, é caso para atendimento médico e não para suplementos
Comparámos todos os ingredientes disponíveis em Portugal, com doses e preços, em suplementos para a próstata: o que a evidência mostra.
Em resumo
- O que é: suplemento alimentar em cápsulas, 20 por embalagem, uma duas vezes por dia após as refeições — ciclo de 10 dias
- Composição declarada: extrato de abóbora (Cucurbita maxima), Tribulus terrestris, urtiga (Urtica dioica), ginseng e vitamina C
- Doses: não indicadas, o que impede a comparação com as quantidades estudadas
- Evidência: só a abóbora e a urtiga têm literatura sobre sintomas da próstata. No maior ensaio existente sobre abóbora, funcionou a semente inteira — o extrato não se distinguiu do placebo
- Tribulus, ginseng e vitamina C: sem evidência clínica para a próstata
- Segurança: sem efeitos adversos graves documentados para esta fórmula. ⚠ Verifique se o seu frasco contém ginkgo, se toma anticoagulantes
- Nome não exclusivo: circulam pelo menos quatro fórmulas diferentes sob a mesma designação — leia sempre a lista de ingredientes do frasco concreto
- Enquadramento legal: é um suplemento alimentar, regulado pela DGAV. Por lei não pode apresentar-se como algo que trata ou cura uma doença
- Contexto obrigatório: no grupo placebo dos ensaios clínicos, o IPSS desce em média 4,4 pontos em 12 meses
Autor: Redação Viver Bem 50 · como trabalhamos Publicado: 17 de agosto de 2026 · Última atualização: 17 de agosto de 2026
Aviso médico. A informação deste site tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Antes de iniciar qualquer suplemento, fale com o seu médico ou farmacêutico, sobretudo se toma medicação regularmente.
Divulgação de afiliação. Este site pode receber uma comissão sobre compras feitas através de ligações aqui presentes. Isso não altera o preço pago pelo comprador nem a forma como avaliamos os produtos.
Marcas mencionadas. Os nomes e marcas registadas pertencem aos respetivos titulares. Este site não está associado aos fabricantes dos produtos mencionados nem os representa.
Fontes utilizadas
- Ensaio GRANU, abóbora, DOI 10.1159/000362903 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25196580/
- Óleo de abóbora vs tamsulosina — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8527717/
- Urtica dioica — https://colamed.com.br/urtica-dioica/
- Tribulus terrestris e testosterona — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30790614/
- Ginkgo e risco hemorrágico — https://imperiumherbals.com/products/prostalis
- Composição declarada (tabela de composições da rede afiliada, folha Prostalis)
- Composição do Uroprostan (mesma fonte, folha Uroprostan)
- Produtos de fronteira suplemento/medicamento, Infarmed — https://www.infarmed.pt/documents/15786/17838/PRODUTOS+FRONTEIRA+SULEMENTOS+MEDICAMENTOS.pdf
- DGAV, suplementos alimentares — https://www.dgav.pt/alimentos/conteudo/generos-alimenticios/regras-especificas-por-tipo-de-alimentos/suplementos-alimentares/
- EFSA, esteróis vegetais e próstata — https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdfdirect/10.2903/j.efsa.2010.1813
- Efeito placebo, meta-análise de 25 ECR — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16753253/
- Saw palmetto, revisão Cochrane 2023 — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD001423.pub3/full