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Autor Redação Viver Bem 50 Atualizado 19 de agosto de 2026

Próstata aumentada: o que é e o que fazer

Resposta curta: a próstata aumentada — hiperplasia benigna da próstata, ou HBP — é o crescimento gradual da glândula com a idade, que comprime a uretra e dificulta a passagem da urina. Não é cancro e não se transforma em cancro. Cerca de metade dos que a têm sente sintomas.

40–50%
dos homens entre os 51 e os 60 anos
80%
acima dos 80 anos
~30%
virá a precisar de tratamento ao longo da vida

É cancro?

Não. E esta é a primeira pergunta de quase toda a gente, por isso vale a pena responder antes de tudo o resto.

Benigno significa benigno. A hiperplasia benigna da próstata é um aumento do número de células normais da glândula. O cancro da próstata é uma doença diferente, com origem noutro tipo de alteração celular. Ter uma não aumenta o risco de vir a ter a outra.

Podem coexistir, porque ambas se tornam mais frequentes com a idade — e é por isso que os sintomas urinários merecem avaliação médica em vez de autodiagnóstico. Mas uma não leva à outra.

Porque é que a próstata cresce

A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, situada por baixo da bexiga, que envolve a uretra — o canal por onde sai a urina. Produz parte do líquido seminal.

A partir de certa idade volta a crescer. Ao crescer para dentro, comprime a uretra e estreita o canal. A bexiga passa a ter de fazer mais força para esvaziar, e com o tempo a própria parede da bexiga se altera.

Daí vem a maior parte dos sintomas: o problema não está na urina, está no espaço por onde ela tem de passar.

Este processo é normal com a idade. Não resulta de algo que a pessoa tenha feito ou deixado de fazer.

Com que frequência acontece, por idade

Idade Proporção de homens com HBP
31 – 40 anos 8%
51 – 60 anos 40 – 50%
mais de 80 anos mais de 80%

Entre os homens com mais de 65 anos, cerca de 75% têm sintomas.

Lido ao contrário: na faixa dos 51 aos 60 anos, ter a próstata aumentada é praticamente tão comum como não ter. Isto não torna os sintomas menos incómodos, mas retira-lhes o caráter de anomalia.

Quais são os sintomas

Dividem-se em dois grupos, e distinguir entre eles ajuda a descrever a situação ao médico.

Sintomas irritativos — a bexiga fica irritável:

  • urinar com mais frequência do que o habitual
  • urgência: a vontade aparece de repente e é difícil adiar
  • levantar-se de noite para urinar (noctúria)

Sintomas obstrutivos — a passagem está estreitada:

  • jato fraco, sem força
  • fazer força para começar, ou demora até a urina sair
  • jato que para e recomeça durante a micção
  • necessidade de urinar de novo menos de 2 horas depois

Se o seu sintoma principal é a frequência, reunimos as medidas concretas em urinar muitas vezes: porquê e o que fazer.

O sintoma que mais afeta a vida diária costuma ser a noctúria: levantar-se duas ou três vezes por noite fragmenta o sono e o cansaço acumula-se durante o dia.

Meça os seus sintomas: o IPSS

IPSS — International Prostate Symptom Score — é o questionário que os urologistas usam para pôr um número naquilo que a pessoa sente. Pode preenchê-lo sozinho.

0–7
Ligeiro
8–19
Moderado
20–35
Grave

São sete perguntas sobre o último mês, cada uma pontuada de 0 (nunca) a 5 (quase sempre):

  1. Sensação de não esvaziar completamente a bexiga depois de urinar
  2. Ter de urinar de novo menos de 2 horas depois de terminar
  3. Parar e recomeçar várias vezes durante a micção
  4. Dificuldade em adiar a vontade de urinar
  5. Jato urinário fraco
  6. Ter de fazer força para iniciar a micção
  7. Quantas vezes se levanta durante a noite para urinar

Some os sete valores:

Pontuação total Interpretação
0 – 7 sintomas ligeiros
8 – 19 sintomas moderados
20 – 35 sintomas graves

Existe uma oitava pergunta, sobre qualidade de vida — «como se sentiria se tivesse de viver o resto da vida assim?». Não entra na soma, mas pesa muito na decisão terapêutica: dois homens com 12 pontos podem estar em situações completamente diferentes conforme o quanto isso os incomoda.

Anote o resultado com a data. Repetir dentro de três meses mostra a direção em que as coisas vão — e é isto que o médico quer saber, mais do que uma descrição vaga de «tem estado pior».

Procure atendimento médico sem adiar perante qualquer um destes sinais:

EmergênciaVá ao hospital agora
  • Não conseguir urinar de todo, com dor e sensação de bexiga cheia — retenção urinária aguda, é uma urgência hospitalar

UrgenteConsulta urgente, em 1–2 dias
  • Sangue na urina, ainda que uma única vez e mesmo que passe sozinho
  • Febre acompanhada de dor lombar, perineal ou ao urinar
  • Dor óssea persistente, em especial na bacia ou na coluna
  • Perda de peso sem explicação
  • Agravamento em semanas em vez de meses

Nenhum destes faz parte do quadro habitual da próstata aumentada.

O que fazer primeiro

A primeira linha de abordagem para os sintomas urinários não é medicação nem suplementos: são medidas comportamentais. Têm evidência, não custam dinheiro e podem começar hoje.

Treino dos músculos do pavimento pélvico. Melhora significativamente os sintomas urinários, incluindo a noctúria. Quando associado a medicação, o resultado é superior ao da medicação isolada.

Gestão de líquidos. Manter abaixo de 2 litros por dia, repartidos ao longo do dia, e parar cerca de 5 horas antes de deitar. Esta última medida sozinha resolve boa parte das idas noturnas.

Reduzir café e álcool, sobretudo à noite: ambos funcionam como diuréticos e irritam a bexiga.

Micção programada — ir à casa de banho a horas definidas em vez de esperar pela urgência — ajuda quem tem sintomas irritativos.

Rever a medicação com o médico. Alguns descongestionantes e anti-histamínicos agravam a retenção. Não suspender nada por conta própria.

Que tratamentos existem

(Se além dos sintomas urinários houver dor ou febre, o quadro é outro — veja prostatite: sintomas e tipos.)

Quando as medidas comportamentais não chegam, existem duas famílias de medicamentos, com lógicas diferentes.

Alfabloqueadores — tamsulosina, alfuzosina, silodosina. Relaxam o músculo do colo da bexiga e da próstata, alargando a passagem. Não reduzem o tamanho da glândula: atuam sobre o sintoma, e por isso o efeito nota-se em dias a semanas.

Inibidores da 5-alfa-redutase — finasterida, dutasterida. Bloqueiam a conversão de testosterona em DHT e reduzem o volume da próstata ao longo de meses. O efeito é mais lento e mais estrutural.

Um detalhe destes últimos que importa saber: reduzem o PSA em cerca de 50% ao fim de seis meses. O Resumo das Características do Medicamento da finasterida 5 mg, do Infarmed, indica que nesses doentes o valor de PSA deve ser duplicado para comparação com o normal. Um resultado de 2,5 ng/mL corresponde na prática a 5 ng/mL. Se fizer análises, diga sempre o que toma.

Ambas as famílias têm efeitos secundários possíveis e ambas são de prescrição. A escolha depende do tamanho da próstata, dos sintomas e do resto da situação clínica — é conversa de consulta, não de artigo.

Existe ainda cirurgia, reservada para casos com sintomas graves, complicações ou falência do tratamento médico.

Quanto tempo se espera por um urologista em Portugal

Convém saber, porque muda o que faz sentido fazer entretanto.

No SNS, a espera por uma consulta de urologia com prioridade normal pode aproximar-se de um ano. Em 2026 entrou em funcionamento o SINACC — Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia — que centraliza as listas e fiscaliza o cumprimento dos tempos máximos de resposta.

Pode acompanhar a sua referenciação no portal ou na aplicação SNS 24, em «Consultas e referenciação → Referenciações». Não depende de telefonar para lado nenhum.

No privado, a consulta de urologia custa habitualmente 70 € a 120 €, com marcação em uma a duas semanas:

Local Preço
Invicta Saúde 75 €
Aeger Prima até 95 €
UMED Clinic (Lisboa) 120 €
Hospital Lusíadas 120 €
Hospital da Cruz Vermelha 35 € – 140 €, conforme o médico

É esta diferença — entre quase um ano e duas semanas — que explica por que tanta gente procura alguma coisa para fazer entretanto. As medidas comportamentais acima são a parte dessa espera que tem evidência a sério.

E os suplementos?

Existe uma categoria inteira de produtos dirigida a estes sintomas. A evidência é fraca e desigual: o saw palmetto, o ingrediente mais vendido, não superou o placebo numa revisão Cochrane de 2023 com 27 ensaios e 4 656 homens. Outros componentes têm dados mais favoráveis, mas de revisões antigas e com poucos estudos.

Há ainda um dado que enquadra tudo o resto: numa meta-análise de 25 ensaios com 10 587 doentes, os homens que receberam placebo viram o IPSS descer em média 4,4 pontos em 12 meses.

Analisámos ingrediente a ingrediente, com doses e preços em Portugal, em suplementos para a próstata: o que a evidência mostra.

O que os suplementos não substituem: a avaliação médica, e a medicação prescrita quando é caso disso.


Autor: Redação Viver Bem 50 · como trabalhamos Publicado: 17 de agosto de 2026 · Última atualização: 17 de agosto de 2026

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Fontes utilizadas

  1. HBP, definição — https://www.cuf.pt/saude-a-z/hiperplasia-benigna-da-prostata-hbp
  2. Prevalência por idade — https://doc.iasaude.pt/index.php/informacao-documentacao/comunicacao-social/recortes-de-imprensa/1815-hiperplasia-benigna-da-prostata-afeta-75-dos-homens-com-mais-de-65-anos
  3. Proporção com sintomas e necessidade de tratamento — https://portaldaurologia.org.br/sua-saude/duvidas-frequentes/hpb-afeta-cerca-de-50-dos-homens-acima-de-50-anos
  4. Sintomas irritativos e obstrutivos — https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/urologia/hbp/
  5. Questionário IPSS, versão portuguesa (CHUC) — https://urochuc.site/files/folhetos/Andrologia%20-%20IPSS.pdf
  6. Terapêutica comportamental como primeira linha — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40658396/
  7. Treino do pavimento pélvico — https://link.springer.com/article/10.1007/s00345-024-04974-7
  8. SINACC, novo sistema de acesso, 2026 — https://healthnews.pt/2026/01/22/400190/
  9. Consulta do estado da referenciação — https://tempos.min-saude.pt/consulta
  10. Preços de consulta privada — https://www.umedclinic.pt/price
  11. Saw palmetto, revisão Cochrane 2023 — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD001423.pub3/full
  12. Finasterida 5 mg, RCM Infarmed — https://www.infarmed.pt/documents/15786/1577857/Finaterida_5mg_RCM_v2.doc
  13. Efeito placebo, meta-análise de 25 ECR — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16753253/

Perguntas frequentes

A próstata aumentada tem cura?

Não desaparece, mas os sintomas controlam-se. Muitos homens ficam anos apenas com vigilância e medidas comportamentais, sem qualquer medicação.

Preciso de fazer o PSA?

O PSA é uma análise ao sangue relacionada com a próstata, e sobe também na HBP, não só no cancro. A decisão de o fazer é conversada com o médico — explicámos aqui o que significam os valores.

A próstata aumentada afeta a vida sexual?

A HBP em si é um problema urinário. Alguns tratamentos podem ter efeitos sobre a função sexual, e é uma conversa a ter com o médico antes de começar, não depois.

Tenho 45 anos e já tenho sintomas. É normal?

É menos frequente — cerca de 8% entre os 31 e os 40 anos — mas acontece. Nesta idade importa sobretudo excluir outras causas, como prostatite, que dá dor e pode surgir em qualquer idade.

Se metade dos homens tem isto, porque é que só alguns tratam?

Porque cerca de metade dos que têm HBP não tem sintomas relevantes. O tratamento decide-se pelos sintomas, medidos, e não pelo tamanho da glândula.